sábado, 16 de janeiro de 2016

2005: UM ANO mágico
              2005...  O seriado Chaves  se manteve firme na programação do SBT desde o dia 8 de novembro de 2004, dia de seu doce regresso, e com uma audiência bastante satisfatória, que chega perto do pico de vinte pontos. Uma grande façanha, já que o melhor seriado do mundo encarou a concorrência da Globo e sua Malhação,  que,  obteve a sua maior audiência desde a estréia em 1995. E, ainda por cima, o formato de exibição de Chaves foi totalmente equivocado: três episódios por dia, sendo que um ou dois são cortados. Isso acaba esgotando o seriado, provocando reprises excessivas num espaço menor de tempo. Ainda assim, a audiência não demonstrou abalo. Apesar de a Folha de São Paulo ter divulgado uma nota preocupante de que o SBT perdia a vice-liderança para a Record entre às 18h e às 22h. 
Somos Cafonas e O Mal-Entendido (com o estranho teto da vila), episódios apresentados praticamente de três em três anos que marcaram presença nos últimos dois meses

              em 2005, o chavesmaníaco colheu deliciosos frutos. O SBT, generoso dessa vez (ao menos com Chaves), andou exibindo episódios raros, como Somos Cafonas e O Mal-Entendido - versão com Seu Madruga. A emissora também  nos saudou com os já considerados ex-perdidos. "Quem Descola o Dedo da Bola", a terceira parte da saga "O Homem da Roupa Velha", despontou logo na primeira semana do regresso de Chaves na programação diária. Um mês depois, foram apresentados, na seqüência, "O Fantasma do Seu Barriga", "Os Chifrinhos de Nozes", "A Chirimóia" (cortado), "Caçando Churruminos", "O Chiclete Grudou no Chapéu" e "O Cachorrinho da Chiquinha". Dos episódios exibidos na "quinzena de contos de fadas" de setembro de 2003, só falta "Seu Madruga Fotógrafo parte 1". Ainda há outras proezas, como as apresentações na íntegra de episódios que há muito não eram exibidos completos. Dessa lista, fazem parte "Um Salário para o Chaves", "O Calote da Chiquinha" (a cena em que Dona Florinda contrata Chaves como garçom não era vista há pelo menos uns cinco anos), "A Moedinha do Godinez", "Goteiras na Casa de Dona Florinda", "Falta d'água - primeira parte" (que, depois de muito tempo, foi apresentada coladinha com a segunda parte), entre outros episódios. Quer mais novidades? "O Belo Adormecido" e "A Carabina" foram apresentados com a segunda dublagem, raríssimas por sinal. E, para encerrar, no  dia 5 de janeiro, duas cenas praticamente inexistentes na memória do chavesmaníaco foram exibidas. No episódio da Choradeira, Dona Clotilde pede a Dona Florinda para aceitar o perdão do Professor. Antes, a cena era interrompida aí para Girafales pronunciar "Tem razão! Eu fui um covarde!". Mas, pela segunda vez (a primeira foi no fim de 2003), o SBT apresentou a continuação do diálogo: a mãe do Quico responde que tem orgulho e Dona Clotilde responde: "Pois engula! Varra o orgulho com uma vassoura!". Aí sim aparece Professor Girafales admitindo que foi um covarde. No episódio seguinte, "Epidêmia de Gripê" iniciou-se com uma cena que eu nunca tinha visto: Chaves, do lado de fora, espia o portão novo que Seu Barriga mandou colocar na vila. Ao fundo, é possível ver Seu Madruga na sua cadeira lendo o jornal. Após uns cinco segundos de observação, aí sim Chaves entra correndo para anunciar ao pai da Chiquinha do portão novo. Geralmente o episódio começa com Chaves correndo já no pátio.

   Só faltava mesmo Chapolin para nossa alegria ser completa. Em 2004, o seriado não foi exibido uma vez sequer pelo SBT, algo inédito na história dos seriados CH no Brasil. E justamente no ano em que foram completadas duas décadas da estréia da arte de Chespirito em terras tupiniquins. No  dia 24 de agosto, dia da celebração de dois decênios de alegria, Chaves e Chapolin estavam fora do ar. Presente de grego mesmo! Algo que não engoli até hoje! A última aventura do Polegar Vermelho apresentada foi no já distante 19 de setembro de 2003 com o episódio: o bandido. O seriado deu lugar ao Scooby-Doo na semana seguinte 
 Já cansamos de pedir para que o SBT colocasse o seriado às 17h30min e deixe a próxima meia hora para Chaves, matando três coelhos numa só cajadada com o fim dos cortes nos episódios, o impedimento do esgotamento do seriado Chaves e, por fim, a exibição das duas séries coladinhas, como nos velhos tempos. Mas o SBT insistiu a apresentação exagerada de três episódios por di[algo que até hoje acontece].

"Quem Descola o Dedo da Bola" e "Chifrinhos de Nozes". Episódios apresentados no período da Pasárgada Sbteriana em setembro de 2003 tornam-se definitivamente ex-perdidos

Na primeira segunda-feira do ano de 2005, lá estava a notícia de que Chaves sairia para a entrada do Programa do Ratinho às tardes (o seriado Smalville passou a ocupar o seu horário durante as férias do apresentador). As reprises da atração de Carlos Massa ingressariam no horário das 16h30min e, segundo a fonte, o programa Casos de Família seria transferido para 17h30min, o horário do Chavinho. Felizmente, não foi o que aconteceu. Ratinho, de fato, invadiu as tardes da emissora, mas Chaves continuou intacto. Depois de confirmada a permanência do seriado, a mesma fonte não titubeou. Passou a insistir que a mudança aconteceria na semana seguinte. Sete dias depois,  Chaves permanecia agitando a programação vespertina da emissora do Cenoura. Tais boatos chegam a me dar nojo! Irritam mesmo!. Cada segunda-feira, portanto, foi dramática! o SBT vivia mudando a programação e Chaves continuava exercendo a lamentável função de tapa-buraco.


             Quem sustenta até hoje a permanência do seriado sem dúvida é o fiel fã, que trava inúmeras lutas contra o SBT para um melhor tratamento ao programa (a alta cúpula da emissora não vê a hora de dizimar mais uma vez o seriado do ar).  Se dependesse apenas dos cabeças-de-camarão do SBT e principalmente da crítica, Chaves ficaria no ar menos tempo do que o programa "Sociedade Anônima" do VJ Cazé, que a Globo exibiu por apenas um mês e meio no começo de 2001. A luta incansável e histórica travada pelos chavesmaníacos de todos os quatro cantos do Brasil em agosto de 2003 foi, sem dúvida, emocionante e fenomenal. Só faltou mesmo passeata! O número tão elevado de fãs deixa a alta cúpula da emissora sem saída e ela acaba sendo forçada a exibir Chaves, pois está ciente de que, se tirar do ar de novo, mais protestos virão! Inexplicavelmente, levando em conta esta garra e persistência dos fãs, Chapolin em 2005  demorou muito para regressar. A insistência do SBT em não promover a volta do Vermelhinho deixa clara a intenção dos cabeças-de-camarão de se livrar logo.  Algo impensável até aquele macabro dia 14 de agosto de 2000, que marcou a primeira saída de Chapolin após 16 anos ininterruptos e deu um claro sinal de que Chespirito não tinha mais cadeira cativa na emissora.
 
           "Chaves" firme na programação! Exibição de ex-perdidos e cenas inéditas! Anunciantes presentes! Boa audiência! 2005 começava bem para o chavesmaníaco! 



fofalhas da gentoca:



 

A crítica, que sempre pisou em cima de Chaves, que já qualificou o seriado de sem graça pra baixo e que tachou os personagens de monstros, aprontou mais uma. A TV Press, que anualmente elege os melhores e os piores da TV brasileira, pra variar deu ao Chavinho o título de "Pior Série Internacional". Veja a justificativa: "O abobalhado personagem criado por Roberto Bolaños nos anos 70 permanece um fenômeno difícil de ser explicado. Sílvio Santos bem que tentou tirar Chaves do ar. Mas o poder da audiência acabou falando mais alto. Com índices em torno dos 10 pontos de audiência, o seriado ganhou até movimentos organizados de telespectadores exigindo seu retorno à grade do SBT. O programa voltou ao ar e ao rol dos piores do ano. Depois de uma seqüência de anos como o vencedor na categoria - interrompida no ano passado, quando o "vitorioso" foi Oz -, o programa conquistou 62% dos votos". Do que os críticos gostam, então? De luxo? De apelação? Por isso que Chespirito sempre meteu pau nos críticos em seus roteiros... E com toda razão!

Marcelo Gastaldi, o saudoso dublador de Chaves e Chapolin, já trabalhou como ator?  a eterna voz de Chespirito, depois de ter sido vocalista do conjunto "Os Iguais" na década de 60 (Gastaldi é o segundo da direita para a esquerda na capa ao lado), teria atuado numa pornochanchada dos anos 70 denominada "Histórias que Nossas Babás Não Contavam", sátira do conto da Branca de Neve. Gastaldi, neste filme, teria feito o papel do Príncipe segundo os créditos finais da produção. 

No  livro "Jornal Nacional - A notícia faz história", os seriados CH são lembrados como as grandes ameaças ao telejornal no começo da década de 90, quando Chaves e Chapolin, juntos com a novela Carrossel, tiraram preciosos pontos do Jornal Nacional no ano de 1991. O depoimento do editor-chefe adjunto do JN nesta época,  Moraes Neto. Olha só o que ele falou: "Claro que o JN nunca teve sua audiência ameaçada. Mas tinha momentos em que o SBT crescia. Não vencia, nem chegava perto disso, mas crescia. Isso foi com a novela Carrossel. E tinha também o Chaves. Eu até brinquei uma vez que eu tinha que queimar meus neurônios com o grande objetivo de evitar que os telespectadores acompanhassem as aventuras do Chapolin Colorado...". Nesta época, Chapolin era apresentado às 21h com a exibição dos episódios do lote de 1990 ainda inéditos na ocasião. 1991 foi o ano em que o SBT quase faliu. Sua programação, naquele tempo, era quase toda dedicada a desenhos. Chaves e Chapolin, juntamente com a novela Carrossel, eram os carros-chefe da emissora do Cenoura. Condição extrema-oposta a de hoje, quando um não passa de tapa-buraco e o outro não é apresentado. Tempos áureos aqueles para o chavesmaníaco...

Valette Negro, e também fã do Moe dos 3 patetas, é um rapaz que obteve um grande destaque e uma profunda simpatia por parte dos chavesmaníacos graças a sua dedicação em desvendar os mais diversos tipos de mistério dos seriados CH. 
 ele, junto descobriu o nome do rapaz que escolhe os episódios do seriado Chaves para serem apresentados no SBT. Ele atende por evilásio! Ô, seu evilásio! Por que o critério que você utiliza para a exibição do seriado é tão aleatório? E por que você não escolhe os demais perdidos para serem apresentados? 

fofalhas da gentoca


 mensagem  dedicada ao grande dublador Carlos Seidl, a voz do Seu Madruga: "Carlos Seidl, seu magnífico trabalho deu a Seu Madruga uma identidade no Brasil. Tudo bem que o talento de Ramón Valdez era singular, mas você, com sua bela voz, deu uma contribuição pra lá de decisiva para fazer do pai da Chiquinha um dos mais carismáticos personagens da história. Até hoje morro de rir com as divertidas imitações que você fazia do Chaves durante seu choro após o cascudo ou depois de um bordão do menino órfão todo sem jeito após mais uma de suas tantas trapalhadas. É difícil alguém conhecer a voz original do imortal Ramón Valdez. Mas a sua, pelo trabalho feito como dublador, todos reconhecem na hora. Sem dúvida você encarnava o personagem, tamanha a maestria com a qual você interpretou suas reações. Se Seu Madruga sofria, você devia sofrer junto! Mas quando Seu Madruga se sentia feliz, a felicidade lhe tomava por inteiro! Muito obrigado de coração por ajudar a fazer  gerações de chavesmaníacos rirem não só pelo gigantesco talento dos atores como também com a sua esplendorosa dublagem, de total qualidade, e a de seus demais e excelentíssimos colegas (o imortal Marcelo Gastaldi, mais Nelson Machado, Older Cazarré, Mario Vilela, Marta Volpiani, Helena Samara, Osmiro Campos, Cecília Lemes e tantos outros). 

Durante a exibição do episódio do Velho do Saco, na cena em que Quico diz que vai brincar na rua e topa com Dona Florinda, ocorre um slowmotion estranho. O som rola normalmente, mas a cena prossegue numa esquisita câmera lenta, dando a impressão de que houve um problema. Mais uma das esdrúxulas edições do SBT. 

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Os seriados CH possuem mais uma fã ilustre: ninguém menos que  Gisele Bündchen. Em entrevista, ela fez a seguinte declaração: "Quando vim morar aqui, comecei a conhecer as celebridades, e não encontrei ninguém que eu cresci cultuando, pois não é fácil encontrar o Chapolin Colorado por aí.". 



No programa dominical chileno De Pé a Pá, provavelmente no mesmo dia em que  Florinda fez declarações polêmicas com respeito a Carlos Villagrán e a María Antonieta de las Nieves, despontaram as belas chapolinetes (à direita), que coloriram com suas respectivas belezas as telas chilenas. Elas desfilaram até com anteninhas de vinil na cabeça! 

Quem não se lembra do episódio do futebol no pátio, onde Chaves e Quico se bicam pelo direito de ser o Luís Pereira no jogo e que termina com o gol da Florinda. No original, o jogador que eles sonham ser é Enrique Borja (foto à esquerda), um precursor do centroavante Hugo Sanchez (ex-Real Madrid) que devia ser o craque mexicano na década de 70 (uma época de vacas magras no futebol de lá, sempre evidenciada no texto de Chespirito). Ah, vocês sabiam que, no original, os meninos não dizem "Gol da Florinda" no fim do episódio e sim "Gol de Enrique Borja"?



Após Chaves marcar 25 pontos de audiência no Chile, eis que o melhor seriado do mundo vigora agora entre as vinte atrações mais assistidas do Peru.  CHAVES! CHAVINHO! CHA! CHAVES! CHAVINHO! CHAAAAAA...

Há algum tempo que estes imãs do Chaves e da Chiquinha vêm enfeitando minha geladeira. E agora resolvo mostrá-los, em primeira mão, para os chavesmaníacos de bom gosto. 

A editora Levita colocou à venda um pôster do Chaves, contendo a história e curiosidades do seriado. A foto da capa é esta à esquerda. Nunca o encontrei nas bancas, mas, segundo a galera, o pôster é meio furreca e adquiri-lo é sinônimo de péssimo investimento. Seu preço é R$ 2,90.

Para encerrar, confira as fotos de uma versão  do episódio da Casa da Bruxa com  Nhonho ao invés de Quico. O episódio data de 1981 mais ou menos, pois Chiquinha e Dona Clotilde já estão com o visual Clube do Chaves (Chiquinha com um penteado diferente e gola amarela e Dona Clotilde com chapéu rosa). Destaque para a participação de Seu Madruga, que havia voltado a trabalhar com Chespirito depois de atuar com Carlos Villagrán na Venezuela. 







A carrancuda e a meiga. Artificialidade ou versatilidade?

            Sentado na poltroninha favorita ou com o corpo jogado e esparramado no sofá, de maneira a bagunçar as almofadas, nos indignamos com a já de praxe injustiça cometida por Dona Florinda contra Seu Madruga. Com toda a fúria do mundo, a mãe do mimado Quico parte pra cima do pobre chimpanzé reumático e desfere um dolorido tabefe num rosto já tomado por alguns pés-de-galinha. Na ampla maioria das vezes, Seu Madruga está isento de qualquer tipo de culpa. Mas Dona Florinda, levando em consideração apenas seu equivocado ponto de vista, sequer dá chance para o pai da Chiquinha se defender ou se explicar. Pior é quando ela se dá conta de que ele é inocente: Dona Florinda disfarça e nem desculpas pede para Seu Madruga. Tal personalidade forte e dominada pela teimosia de que é a dona da razão não proporciona uma intensa raiva por parte de quem presencia tais cenas? No meu caso, sim! E provavelmente essa mesma raiva também desponta na mente de nove entre dez chavesmaniacos.

            A turrona Dona Florinda, que acha que o mundo é formado por apenas três indivíduos (ela mesma, Quico e Professor Girafales), realmente me deixa fulo da vida a cada vez em que maltrata e castiga Seu Madruga injustamente. Tal fúria que sinto pela personagem é mérito de Florinda Meza, uma atriz extraordinária e versátil. Sempre foi a minha atriz favorita dos seriados CH (também adoro María Antonieta de las Nieves e Angelines Fernandez).

            Quando descobri os sites e fóruns CH, deparei-me com uma opinião marcante declarada por alguns fãs: que Florinda Meza, como a mãe do Quico, forçava muito sua interpretação. Desde então, fiquei encafifado. Eu tinha em mente que Florinda, como atriz, era uma unanimidade, do mesmo quilate do imortal Ramón Valdez e de Carlos Villagrán. Incrivelmente, aquilo não era verdade. Estavam tachando a esplendorosa Florinda Meza de canastrona. Ao menos não utilizavam este adjetivo. Mas a idéia era essa, dada de forma indireta.

Canastrona, eu?

            Por conta desta revolucionária opinião de alguns chavesmaníacos, passei a estudar as atuações de Florinda Meza tanto no seriado Chaves como no Chapolin. Como Dona Florinda, observei que, na temporada de 1975, num período entre meses antes da volta da Chiquinha e um pouco depois de seu regresso, a atriz faz a personagem, ao se zangar, construir semblantes de maneira a fazer praticamente todos os músculos de seu rosto se contorcerem. Ela faz de Dona Florinda uma mulher mais gritona, com expressões de deixar qualquer um apavorado. Por qualquer coisa, a mãe do Quico range os dentes, vira o rosto de um lado para o outro, mexe os braços e soca a palma de sua outra mão com o intuito de se controlar. Nesses casos, Dona Florinda não está à beira de um ataque de nervos. Ela já está totalmente atacada. A atuação de Florinda Meza possui estas características em episódios como Tocando Violão, Nascas de Bacana, Os Toureadores (segunda versão), Epidêmia de Gripê (primeira versão) e Seu Madruga Pintor. Notem como a atriz faz a personagem superar todos os limites do estresse, de maneira a dar impressão de que sua pele e, sobretudo, seus nervos irão saltar fora.

            No entanto, nas temporadas posteriores (aquelas já tomadas por remakes), principalmente nos últimos episódios com as participações de Quico e Seu Madruga, notamos uma Dona Florinda muito, mas muito mais contida e controlada. Um exemplo bem claro ocorre no começo do episódio “De Gota em Gota, minha mãe fica louca”. Quando a mãe do Quico flagra Seu Madruga beliscando Quico (doeu, mas não foi tanto assim), uma surpreendente e calma Dona Florinda parte para cima do pai da Chiquinha. Com uma voz de tom baixíssimo e postura quase estática, ela até dá uns bofetões no seu algoz favorito. Mas se compararmos essa branda Dona Florinda com aquela outra explosiva de três temporadas atrás, percebemos o quanto que a atriz modificou a forma de interpretar a personagem. Talvez já antevendo a bondade que tomaria a mente da mãe de Quico, o que incentivaria a ex-valentona do 14, entre outras atitudes, a dar um salário para Chaves e o tratar como um filho após o estabelecimento definitivo do bochechudo na casa de suas tias ricas.

Da esquerda pra direita, as temporadas de 75 e de 79 (já sem Seu Madruga e Quico). Não foi apenas o avental que mudou. A explosiva Dona Florinda (com um sorriso de satisfação tomado pela maldade) deu lugar a uma Dona Florinda mais contida e paciente.

            Tudo bem! Observando a fase em que a atriz contorcia todos os músculos da face para extravasar a fúria de Dona Florinda, a opinião de muitos sobre a atuação de Florinda Meza ser forçada e artificial até pode proceder. Mas este estilo de atuação não fez nós cultivarmos uma antipatia maior pela personagem? Se a atriz forçava, era com a intenção do telespectador reprovar ainda mais suas atitudes. Isso é um prêmio para qualquer profissional da arte de representar. E depois, cada um tem um estilo próprio de se irritar, não é? E aquele era exatamente o estilo da atriz. Giovanna Antonelli, que interpretou a vilã Bárbara na novela “Da Cor do Pecado”, lamentou por ninguém na rua ter lhe agredido em função das maldades de sua personagem. Aí me desperta uma curiosidade: será que alguém no México, tomando as dores de Don Ramón, tentou dar uns tabefes em Florinda na vida real? Às vezes fico tão injuriado que me dá vontade de penetrar na telinha e enfiar aquela velha carcomida de cabeça pra baixo no barril do Chaves com bóbis, avental e tudo.

Que raiva me dá de Dona Florinda ao ver cenas como esta...

            A grande prova da versatilidade de Florinda Meza é na cena de uma das aberturas originais do seriado Chaves. Florinda, encarnando a mãe do Quico, está com aquela feição de romântica e apaixonada. Mas, de uma hora pra outra, ela fecha a cara, ficando emburrada e carrancuda. Em algumas ocasiões, no decorrer de uma história, Dona Florinda também dá uma de camaleoa facial conforme a ocasião. Um exemplo: no episódio “Crise de Lancherrose”, a dona da espelunca, virada para a mesa onde estão sentados Chaves e Chiquinha, esbraveja com os dois, exigindo que eles deixem o restaurante já que sabe que eles não têm dinheiro para pagar a conta. Professor Girafales, por trás dela, a cutuca e a senhora ranzinza e briguenta, num piscar de olhos, numa fração de segundo, muda a feição e faz aquela cara de boba apaixonada, com o sorriso nas orelhas e os dedos das mãos cruzados.

Quem disse que a velha carcomida não tem seu lado meigo?

            Opostas de Dona Florinda são as mocinhas meigas e inofensivas que a atriz interpreta no seriado Chapolin. Quem vê a delicadeza inserida por Florinda Meza a cada uma das mocinhas fica incrédulo só de lembrar da antipatia e da amargura características da personagem que representa no seriado Chaves. Quanta diferença... Apesar de que aqueles tipos que não fazem mal a um mosquito qualquer atriz do mais baixo escalão pode interpretar. Os críticos de Florinda podem se achar e se gabar agora? Negativo! Isso não passa de ponto morto! E Chimoltrúfia, a saudosa faxineirinha do seriado Chaveco do Clube do Chaves? Era disparada a personagem mais carismática e divertida da série e até hoje é lembrada pelos chavesmaníacos. A personagem cativou devido à magistral atuação de Florinda Meza. Inesquecível a interpretação dada por Florinda à personagem num monólogo no episódio que marcou a estréia do Chaveco no Clube (“O Passado te Condena”). Chimol contava que, quando criança, não ganhara nem um presente de Natal do Papai Noel mesmo após ter lhe enviado cartas e, por isso, escreveu outra pedindo pro Bom Velhinho pegar os presentes e engolir tudo. O monólogo passaria despercebido se não fosse a classe com a qual Florinda executou palavra por palavra do mesmo. E as suas cantorias desafinadas, então? Até hoje rolo de rir ao me lembrar delas. E já ia me esquecendo da Pópis. Florinda conseguia dar à prima de Quico de maneira formidável a característica de uma criança chata e mimada, superando as expectativas de Chespirito, o criador.

Como a hilariante Chimoltrúfia em mais uma de suas cantorias. Falem mal de Florinda Meza, agora...

            Por isso opino que quem acha Florinda Meza uma atriz limitada está ligeiramente equivocado. Ela chega a possuir semelhante nível de versatilidade de Maria Antonieta de las Nieves, a mesma que interpreta até meninos com maestria (diz-se “O Garoto que Mentia” e “Guilherme Tell”). Repito: Florinda até forçava a sua interpretação em alguns episódios de Chaves, mas o fato de deixar o telespectador enfurecido com sua personagem é a maior de todas as recompensas que um profissional das artes cênicas pode receber. Por isso que dez entre dez atores sonham em fazer vilões: para atingir o mesmo feito da extraordinária atriz Florinda Meza. 
fofalhas da gentoca:

É cada vez mais lamentável a briga que envolve os principais atores dos seriados.  Florinda Meza  esteve no programa dominical chileno “De Pé a Pá”. Fora a gratidão pelo país, já que a paixão dela por chespirito e vice-versa   despontou na primeira visita feita por eles ao Chile em 1977, a intérprete de  Dona Florinda denuncia uma certa rivalidade entre Carlos Villagrán e María Antonieta de las Nieves. É até evidente, pois a saída dela do seriado em 1973 fez o personagem Quico ter mais destaque. Com a volta de Nieves dois anos depois, os dois passaram a travar uma certa concorrência. Voltando ao ocorrido no programa chileno,  Florinda fez declarações fortes contra os intérpretes de Quico e Chiquinha.  alegou que Villagrán e Nieves possuíam um nível intelectual baixíssimo.  acusou o intérprete de Quico (e seu ex-namorado) de ser a única “maçã podre” do elenco. Essas declarações bombásticas evidenciam de vez um certo mal-estar que devia ocorrer durante as gravações dos seriados, pois dá a entender que ninguém suportava a convivência com Carlos Villagrán. Com o crescimento da popularidade do personagem, Villagrán exigia ganhar mais do que Nieves nem que fosse “um peso (moeda mexicana) mais”. Não existia harmonia nas gravações, como as magistrais atuações e o entrosamento entre os atores davam a entender. Eram todos (menos Ramón Valdez, que era solidário com todos) contra Carlos Villagrán, que deixou a inveja tomar conta de sua mente. Rubén Aguirre, o Professor Girafales, que apresentou Villagrán a Chespirito em 1971, declarou ter se arrependido. Realmente, essas tristes discórdias só acabam por fazer o chavesmaníaco se frustrar, já que, originalmente, seu pensamento era da existência um elenco onde a amizade e a alegria predominavam entre os atores na vida real. A família CH que imaginávamos estava restrita ao que estava escrito no script de Chespirito. 



Essa vem do SBT: em várias cenas, os personagens da novela “carrosel” assistem Chapolin e caem na gargalhada com cenas como chaves e chapolin juntos na vila. Qual é a do SBT? Tira os seriados do ar e ainda fica nos provocando? Me diz qual é a moral... 


O  chamagol  continuou até o fim da carreira a mostrar para o mundo sua tietagem pelos seriados de Chespirito. Depois de comemorar um de seus gols dando golpes nos colegas com a indefectível marreta biônica do Chapolin Colorado, o craque tirou  o boné do Chaves e o colocou. 

Chapolin continua sendo lembrado pelos mais poderosos veículos de comunicação do país, mesmo fora do ar. Na reportagem da Veja que falou sobre o Jornal Nacional, o seriado é citado pelo fato de sua forte concorrência (junto com a saudosa novela Carrossel) ter provocado mudanças no formato do mais tradicional telejornal do país, que vinha perdendo pontos para as atrações mexicanas no ano de 1991. Já na Contigo!, duas semanas depois da grande reportagem CH publicada, Chapolin aparece novamente numa matéria onde artistas brasileiros são comparados com os mexicanos. O herói mais amado do mundo foi comparado com Didi Mocó, o clássico personagem de Renato Aragão. Mesmo “de férias”, Chapolin continua podendo. 


O hotel Acapulco Continental, palco dos clássicos episódios de Acapulco do Chaves e do Chapolin, tem o seu próprio site. Você pode conferir como está o hotel hoje,  anos depois da ilustre passagem de Chespirito e sua turma por lá. 

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Parece que foi ontem: em 2003, os episódios perdidos de Chaves voltaram e Edgar Vivár visitou o Brasil. Foram quinze dias apoteóticos que vivemos. A primeira quinzena de setembro de 2003 merecia ser canonizada pelo papa. Uma pena que, como sempre, o SBT estragou tudo... 



Isso ocorreu em 1997. Lendo o jornal "Correio do Povo" de Porto Alegre, percebi uma pequena foto de Quico acompanhando uma quase minúscula nota informando que ele estaria na capital gaúcha para fazer um show. Ao mesmo tempo em que fiquei radiante, estranhei muito o nome do ator escrito no jornal: Roberto Vásquez. Puxei pela memória o acontecido dois anos antes, quando o Circo do Quico esteve em Porto Alegre. O nome do intérprete do filho de Dona Florinda não era Carlos Villagrán? Naquela época, não manjava quase nada da turma do Chaves. Era curioso como todos os chavesmaníacos e sonhava descobrir as respostas das dezenas de mistérios (isso quando a internet ainda era raridade nos lares brasileiros, pois os sites CH trariam todas essas respostas). Por isso tive em mente (ainda que com desconfiança) de que aquele era o Quico verdadeiro.
            Fui ao show com minha prima. Ele ocorreria num teatrinho mixuruca no bairro Cidade Baixa, na rua Ramiro Barcelos. Santa ingenuidade a minha. Como é que o grande e colossal Quico faria um show no Brasil numa espelunca? Para a grandeza do personagem, seriam necessários dois Canecões, dois Teatros São Pedro ou até quem sabe dois Maracanãs.

            Minha prima logo ficou desconfiada quando soube que o nome do Quico do show era Roberto Vásquez. Ela já tinha a certeza de que aquele não era o bochechudo verdadeiro. Ela me contou: "Tem alguma coisa errada, Marquinho! Eu me lembro que o nome do ator é Carlos Villagrán!". Fomos falar com duas senhoras do teatro a fim de debater sobre o fato desse tal de Vásquez ser um impostor. Aí está a primeira prova: as duas insistiram que aquele era o Quico da televisão. Elas tentaram nos convencer alegando que os joelhos de Vásquez e Villagrán eram diferentes. O de Villagrán era liso e o de Vásquez possuia dobras e tinha um formato redondo um tanto diferente dos demais. Nos mostraram fotos dos dois atores comparando os joelhos e recomendaram que eu assistisse a Chaves e reparasse nesta curiosidade: que o joelho do Quico da TV tinha esse formato gozado, referente a Vásquez. É claro que não engolimos aquela conversa fiada.
            Eu, ingênuo que era na época, continuei acreditando que aquele era mesmo o Quico. Tanto que Vásquez apareceu todo sorridente de terno e gravata juntamente com assessores e produtores, e até cumprimentou o meu pai. Era um homem totalmente diferente do da televisão. Minha prima já sabia que aquele cara era falsário. Mas a minha cabecinha de criança de treze anos não admitia isso. Por isso, esqueci as dúvidas e tinha certeza de que aquele era o Quico verdadeiro. O carisma do personagem havia feito minha cabeça.
            Uma das espectadoras era uma adolescente com síndrome de down que adorava imitar o choro da Chiquinha. E enquanto esperávamos o começo do show, tocava sem parar a música "Kiko Cola" (aquela do "E Quico é campeão" do disco "Discoteca do Kiko" de 1995), um dance music empolgante e que fez um tremendo sucesso na época da passagem do verdadeiro Quico, Carlos Villagrán, pelo Brasil em 1995. No circo também só tocava essa música. No Programa Livre com Serginho Groisman, para quem Villagrán concedeu entrevista, também não foi diferente.


          Minha prima, já desapontada, e eu sentamos na primeira fila (até porque não tinha tanta gente na platéia)O apresentador (um rapazinho que devia trabalhar no teatrinho) sequer sabia o país de origem do Quico. Eu disse para ele da platéia: MÉXICO! E ele, sem jeito, falou: "É... ele é... do... México!". Vásquez, totalmente tosco travestido de Quico, fez o mesmo número de Villagrán no circo e também do episódio em que as crianças tentam tocar violão: Vásquez se enrolava todo com o instrumento, sentado na cadeira. Depois contou piadas, fez as brincadeiras de praxe... e o carisma do personagem cativava o público, que nem em sonho desconfiava do fato de aquele homem ser um impostor. Lembro-me que tirava fotos sem parar de Vásquez, mas minha enfezada prima  me disse pra parar, pois iria acabar o filme. As fotos infelizmente não ficaram boas, pois o flash estava desregulado e tiveram muito brilho.

            Eu, que era gordinho na época (nem tão diferente de hoje), fui chamado de Nhonho por Vásquez. Fiquei vermelho como um pimentão... O homem que se passava por Quico encerrou seu show depois de uma hora e meia cantando dois boleros. Roberto Vásquez é até bem afinado, ao contrário de Villagrán, e mostrou romantismo na interpretação das músicas. Assim que acabasse o show, os espectadores poderiam falar com Quico no palco. Esse foi um dos motivos de minha ida no show. Subi no palco enquanto ele dava autógrafos para os demais espectadores. Lembro-me de três perguntas feitas pelo pessoal. A primeira, feita por uma criança: "Você é o Quico que aparece na televisão?". A resposta de Vásquez, na maior cara de pau: "Sim, sou eu mesmo" em um portunhol sem vergonha. Taí a segunda prova de que Roberto Vásquez é um falsário. Já a segunda pergunta, olha só que ridícula: "O que o Seu Barriga usa é um enchimento para parecer gordo?". É claro que a resposta dele foi não, pois Edgar Vivár é gordo mesmo. Quer que isso fique mais engraçado? A cômica pergunta foi feita por um adulto... Já a outra foi feita com o objetivo de saber quais os atores que haviam morrido. A resposta natural de Vásquez: "Seu Madruga, Bruxa do 71 e Jaiminho". Godinez ainda estava vivo na época. Um mistério quanto a isso: como Roberto Vásquez sabia dessas informações? Sem a internet, a vida dos atores das séries era algo que todos tinham a curiosidade de saber, já que o SBT não informava nada até surgir o Falando Francamente de Sônia Abrão. Creio até que a maioria das pessoas imaginava que todos haviam morrido no famigerado acidente de avião. 

Lero-Lero... O Vásquez autografou o verso da foto do Villagrán...

            Por ironia do destino, dei a foto  de Villagrán que comprei no circo para Vásquez autografar. O autógrafo de Vásquez é um desenho do rosto de Quico de perfil com as bochechas cheias de ar. E enquanto todos estavam no palco falando com Vásquez, só uma pessoa permaneceu sentada na platéia:  minha prima emburrada. Ela confessaria que não se encantou nem um pouco com o show, já que estava ciente de que era um impostor quem estava no palco representando Quico.

            Em 2000, encontraria uma reportagem no Diário Gaúcho informando que Vásquez estava morando em Portão, cidade próxima de Porto Alegre. O título: "Um Bochechudo Quico em Portão". Entre outras informações, estavam presentes as que Vásquez teria criado o personagem Quico, interpretado o personagem nos primeiros episódios de Chaves e vendido os direitos do bochechudo a Chespirito. 

            Fiquei com a idéia fixa de que Vásquez era o criador do personagem Quico até conhecer as dezenas de sites CH e saber que um por um discordava da informação, com todos apresentando uma única conclusão: que Roberto Vásquez é um impostor. Mas Vásquez insiste em dizer que foi ele quem criou o personagem e por isso alega ter o direito de interpretá-lo onde e quando quiser. 

Vásquez se entregou ao dizer que é ele quem aparece na TV, contando com a ajuda das duas senhoras do teatro que usaram os joelhos dos atores para tentar nos engrupir.  anos depois, não caio mais nessa. Acredito que Roberto Vásquez seja um fracassado cantor de boleros falcatrua que use o nome de Quico para ganhar dinheiro, o que é imperdoável para os chavesmaníacos. Recordo-me de um circo do Chaves que esteve em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A propaganda era exibida no SBT e apresentava um ator narigudo e feio fantasiado de Chaves. O pior é que muitos pensaram que era o autêntico Chespirito debaixo daquela fantasia e despejaram rios de dinheiro para sustentar tal penca de falsários.
           

Na novela  Senhora do Destino, teve um personagem chamado Madruga, interpretado pelo irreverente André Mattos. Com certeza o nome foi inspirado num certo chimpanzé reumático... Até porque, em um dos capítulos, a personagem da "gracinha" Carol Castro o chamou... de Seu Madruga. Na hora em que ela o chamou desta maneira, qual será que foi a sua primeira lembrança?



fofalhas da gentoca:


O jogo Street Chaves é uma febre. Até na Folha de São Paulo apareceu, para se ter uma idéia. Pra quem não conhece, ele é um Street Fighter, mas com os personagens do Chaves como lutadores. É realmente cômico. A gente mais ri e se diverte em relação a se dedicar a aprender os melhores golpes e vencer as lutas. É hilariante. A foto ao lado é apenas aperitivo.  Uma pena que  não tem a Pópis como lutadora. É diversão na certa! 

Sabe o filme do Pelé que tanto Chaves gostou e queria ver de novo no episódio do Cinema? Pois é, eu comprei ele: Pelé Eterno. Muitos gols de sua carreira foram restaurados e estão reunidos no filme, além de inúmeros depoimentos. 




María Antonieta de las Nieves possui um hobby para lá de esquisito: coleciona cruzes. Possui uma centena delas. Sem dúvida, a casa de Chiquinha tem mais cruzes do que a Catedral de Londres ou qualquer outra igreja. Sua cruz favorita é uma de cor azul-rúbi. Faço duas exclamações quanto a isso: Cruz-credo! Cruzes!

O  ex-atacante da seleção do Chile Sebastián González, vulgo Chamagol, é fã declarado de Chaves e Chapolin. Tanto que comemorou um de seus gols com uma marreta biônica (foto à direita) e com uma camisa do Chapolin por baixo. 


Duas enquetes interessantes foram feitas. Quais as melhores temporadas dos seriados Chaves e Chapolin. No Chaves, a temporada 1973-74 deu uma lavada nas demais. Tais anos se equivalem a episódios como Madruguinha, Ioiô (foto à esquerda), Choradeira na Vila, Espíritos Zombeteiros, Pichorra, Cofrinho do Seu Madruga... A vitória de 73-74 se deu pelos seguintes motivos, conforme a opinião dos chavesmaníacos: nesta temporada, ocorreram as primeiras versões da grande maioria dos episódios; Quico começou a se destacar de maneira a roubar a cena de Chaves; os episódios da época haviam mais diálogos; e que Chiquinha, depois de sua volta em 1975 no episódio de Presidente Prudente, só fazia número. Realmente nisso eu concordo. Com todo o respeito aos fãs da Chiquinha mas, por mais que seja carismática, ela não acrescentava nada a esses remakes das histórias de 73-74. A ausência de Chiquinha é sentida em episódios como o do Ioiô e os demais da temporada 73-74? Resposta da maioria: não! Isso já tá virando uma polêmica. A propósito, na enquete do Chapolin, a temporada 79-80 (de episódios como Botina, Festa a Fantasia e Estamos Aqui Pra Isso) surpreendentemente saiu na frente. Carlos Villagrán, já ausente em 1979, pouco acrescentou ao seriado. Rubén Aguirre e Edgar Vivár  deram conta. A enquete do Chapolin é mais equilibrada, realmente nem sei em qual temporada votar.

Mais uma pra deixar o chavesmaníaco brasileiro chupando o dedo: "Segundo a agência latina Famapress, o seriado infantil "Chapolin" é um dos programas mais vistos pela audiência chilena, a série surpreende ao registrar 26.5 pontos de audiência no horário em que é transmitida, das 17:35 às 17:59. O programa, criado e protagonizado pelo escritor mexicano Roberto Gómez Bolaños, já se transformou em um clássico da TV em espanhol e continua sendo exibido em vários países ao redor do mundo." Isso sem contar os mais de 70 pontos de audiência conquistados no Equador. No México, a Televisa coordena as quatro principais emissoras do país. O seriado  passa em duas delas. Então me pergunto: por que só o SBT encrenca com o seriado? 

Os novos DVD's do Chaves continuam fazendo sucesso no exterior e podem chegar ao Brasil"Além de continuar fazendo sucesso no Brasil, o "Chaves" também faz sucesso em outros países do mundo. A Televisa Home Entertainment lançou, nos Estados Unidos, o DVD "Lo Mejor del Chavo del Ocho", e acaba de anunciar que já vendeu 500 mil cópias. O produtor Roberto Gómez Fernández, filho do ator e criador da série (Roberto Bolaños), comentou que a intenção é lançar o DVD em todos os países que conhecem o famoso personagem, incluindo o Brasil. "Como é uma comédia familiar os pais que costumavam assistir o seriado quando pequenos, querem que seus filhos o conheçam também. O 'Chaves' foi, e continua sendo, visto por crianças e adultos, ricos e pobres, gordos e magros, meninos e meninas, ou seja, não faz diferença, o interesse é o mesmo, e é um fenômeno que continua crescendo", explicou Fernández." Já tá mais do que na hora desses DVD's chegarem por aqui. Parece que o Brasil faz questão em ignorar nossos seriados queridos, mesmo com a maioria dos jovens brasileiros até hoje saberem piadas e diálogos na ponta da língua. Como vai ficar a nova geração que está crescendo? Hoje as crianças sabem quem é Bob Esponja, mas lembram vagamente de Chaves.





Algo muito esquisito vem ocorrendo: a Tele-Sena está anunciando na Globo. Isso mesmo! O comercial é visto constantemente no intervalo da novela das sete. Um certo dia, assistindo a um programa na Globo, durante os comerciais fui ao banheiro. E de repente eu ouço: "É recorde! É recorde! Muitas pessoas já ganharam na Tele-Sena...". Perguntei: "Quem mudou para o SBT?". De repente, para a minha surpresa, percebi que o seletor estava e sempre esteve na Globo. É cada coisa que acontece...


o peso pluma vence o peso elefante! ao invés de "Marciano derrubou o etê gordão". Cena da primeiríssima versão do Despejo do Seu Madruga, logo após o pai da Chiquinha ter nocauteado Seu Barriga acidentalmente.

   Todo chavesmaníaco que acompanha os sites CH freqüentemente deve conhecer ou já ter ouvido falar da "terceira versão" da Nova Vizinha, das três versões do Velho do Saco (ou Roupa Velha), dos remakes sem-graça da fase Clube do Chaves de episódios clássicos como Querem Sujar o Terno do Nhonho(na fase clássica, a vítima nas  versões exibidas no Brasil é o Quico) e o que Chaves vive quebrando a lâmpada do pátio, e, por fim, do episódio que sempre é lembrado pelos chavesmaníacos como um dos perdidos mais célebres: o que aparece o  primo do Seu Madruga. Na verdade, o episódio não passa de uma  versão ( tem uma antes dessa) do episódio em que o pai da Chiquinha prende Quico acidentalmente numa caixa.

            Afinal, por que Chespirito gravou tantas versões de uma mesma história?

   O Legítimo Mestre possuía um elenco extraordinário para servi-lo. E o pequeno Sheakespeare se aproveitou dele ao máximo. Chespirito fazia tantas versões de uma história com o intuito de todos os atores e personagens participarem dela, viverem e curtirem aquela hilária aventura. Talvez o criador de Chaves e Chapolin tenha sido o único artista do mundo a dar tais regalias a seu elenco. Por isso há trocentas versões de uma mesma história, gravadas inúmeras vezes por dezenas de atores diferentes. Se de 1992 até 2012 no Brasil são raríssimos os episódios em que o SBT manteve duas versões, no total estima-se que Chespirito tenha feito seis ou sete versões da mesma história em mais de trinta anos de sucesso na TV. Vale lembrar que o Brasil apresenta a fase entre 1973 e 1979, enquanto que Chespirito trabalhou do começo da década de 70 até a metade da de 90. Certamente o SBT não exibiu 100% dos episódios do Clube do Chaves (no México, programa Chespirito) e a emissora jamais exibiu uma história entre 1980 e 1989. Este período posso afirmar com toda a segurança que era repleto de remakes.

Chespirito dava a oportunidade para todos os atores participarem de suas histórias

            Mas o SBT comprou uma boa parte dos episódios da fase clássica. Podemos considerar que a emissora apresenta mais ou menos 80% de todos os episódios entre 1973 e 1979. Porque, de 2012 pra cá, o SBT  voltou a apresentar inúmeras versões de uma mesma história do seriado Chaves.
            Nesta época de ouro do seriado, provavelmente devem ter sido feitas cinco versões de uma certa história para cada uma das cinco fases distintas do seriado na era clássica. Geralmente a emissora exibe as três primeiras nos sábados. A primeira fase era a época em que Chaves usava camisa amarela e Chiquinha um vestido branco (época  paleozóica). Na segunda, Chaves usava camisa branca com listras horizontais verdes (depois pretas) e Chiquinha havia saído do seriado. Na terceira, Chiquinha estava de volta, Chaves usava uma camisa esverdeada e Quico vivia seus últimos anos na vila (a grande maioria dos episódios exibidos entre 1992 e 2011 são desta época). A quarta fase se inicia com a saída de Quico e de Madruga e nela ocorre a compra do restaurante por Dona Florinda. E ainda temos a quinta e última fase que o SBT nunca exibiu (de 1980 a 1989) chaves é um reles quadro do programa chespirito, em que Seu Madruga volta ao seriado, Jaiminho passa a morar na vila e personagens como Dona Clotilde, Chiquinha e Pópis passam a usar roupas diferentes.

Regina Torné, Olivia Leiva e Maribel Fernández: as três Glórias de Chespirito
            Retomando ao tema dos remakes, vamos pegar como exemplo o episódio da Nova Vizinha. O SBT exibe normalmente uma primeiríssima versão da história onde Seu Madruga se apaixona por Glória e Chaves por Paty. Nesta versão de 1972, Glória era interpretada pela atriz Maribel Fernández, conhecida como "La Pelangocha" (não me perguntem o que é isso que eu não sei). Não sei quem é a charmosa atriz que interpretou a primeira Paty (charmosa devido às poses feitas para a câmera no fim do primeiro episódio. Temos neste episódio pérolas como Quico fazendo gentalha no Seu Madruga sem empurrá-lo, Florinda sem bóbis (comum nos episódios mais antigos) e totalmente despenteada, e o pai da Chiquinha despencando da porta da casa da nova vizinha após ganhar um beijo dela (vale lembrar que ela mora na casa da escada). Uma versão engraçadíssima de tão tosca. Na segunda versão, Olívia Leiva era Glória e Rosita Buchó Paty. Apenas o primeiro episódio desta versão é apresentado anualmente só porque fala por um momento no Dia Internacional da Mulher. E o SBT exibe este episódio todos os dias 8 de março (o que não aconteceu em 2004, pois o seriado ainda estava fora do ar). Já   a mais recente exibida no brasil, de 1978, com as intérpretes mais famosas de Glória e Paty: Regina Torné e Ana Lilian de la Macorra. Ou seja, só porque tocam vagamente no assunto do Dia Internacional da Mulher, o episódio da Nova Vizinha é praticamente anual, só exibido nos dias 8 de março. E ainda há uma quarta versão, onde Veronica Fernández ( filha de María Antonieta de las Nieves) interpreta Paty. Esta versão nunca foi exibida no Brasil, mas está presente nos DVD's do Chaves lançados no México. 

Ana Lilian de la Macorra e Rosita Buchó (em cima, da esquerda para a direita). Atriz cujo nome não sabemos, mas que interpretou a primeira; e Veronica Fernández, filha de Chiquinha, a última (abaixo). Todas as Patys de Chespirito 

            Assistindo aos episódios, vi como os scripts das diferentes versões são idênticos. Os diálogos se repetem na mesma seqüência, muitas vezes com as mesmíssimas frases, sem mudar uma só palavra em relação à versão exibida atualmente e mais conhecida. Ou seja, as histórias são as mesmas. Não mudam absolutamente nada. Só quem mudam são alguns personagens. Por exemplo, todos conhecem a versão do episódio do Homem Invisível com Chiquinha. Mas, em 1999, estranhamente a emissora apresentou a primeira versão sem a sardentinha. Nesta versão mais antiga, é o próprio Seu Madruga quem fornece a fórmula para ficar invisível. Desde a volta da Chiquinha "de Presidente Prudente" (volta ocorrida na vida real após a atriz tentar, sem sucesso, emplacar um programa só seu), Chespirito passou a fazer novas versões de episódios onde ela esteve ausente simplesmente para que a maravilhosa María Antonieta de las Nieves participasse daquelas sensacionais histórias, nem que fosse como coadjuvante. Vendo o episódio em que Madruga ajuda Girafales a se declarar à Florinda (sem Chiquinha) e depois assistindo à versão com a sardentinha (Somos Cafonas), percebemos que ela não acrescenta nada à história. Só está lá para fazer número, digamos assim. A participação dela se adequou melhor na segunda versão doMadruguinha, onde Pópis atuou na primeira e mais famosa versão. É óbvio que Chiquinha faria o mesmo papel da sobrinha de Florinda na segunda.

Aventuras em Marte, Água da Jamaica e Tentando Sujar a Roupa do Quico: versões mais recentes, mornas e arrastadas.

            Em Chapolin, apenas a primeira versão (antiga por sinal) de Planeta Vênus  foi cancelada.  trocada pelo  remake mais recente e de qualidade muito superior. Isso sem contar a terceira versão de Planeta Vênus, agora transferido para Marte, que gerou um mega episódio transformado em filme pelo SBT Aventuras em Marte, exibido duas vezes pela emissora. Salvam-se as boas partes inicial e final, mas a parte central do filme não passa de uma versão mais morna do mesmo episódio que todos estão cansados de ver. No Clube do Chaves, versões cansativas como a do Mestre dos Disfarces, de quase uma hora de duração, dispensam comentários. As chatíssimas novas versões dos episódios de Chaves e Chapolin serviram apenas para afundar o Clube e ofuscar o brilho da excelente e hilariante dupla formada por Pancada Bonaparte e Lucas Pirado. O próprio Clube ainda exibiu duas versões do episódio em que a turma do Chaveco tenta abrir um cofre, "assassinando" o engraçadíssimo episódio do Botina do Chapolin.

   Por conta disso, a alta cúpula do SBT, em 1992, se conscientizou de que não seriam necessárias as apresentações de tantas versões diferentes do mesmo episódio (com as mesmas falas e cenas) e cancelou-as, dando preferência às versões   recém adquiridas na ocasião. Desta varredura, sobraram também episódios como Pichorra, Espíritos Zombeteiros, Radinho do Quico, Quem Descola o Dedo da Bola, A Peruca de Sansão, os episódios do Beterraba (antigo nome do Chaveco)... E alguns equívocos foram cometidos nestas substituições. Por exemplo, a versão dos Inseptos com Quico (que termina com tudo explodindo após Seu Madruga beber gasolina acidentalmente e acender posteriormente um charuto) é infinitamente superior à morníssima com Nhonho em que todo mundo anda nas pontas dos pés. O mesmo ocorre com o episódio dos Toureadores. A versão mais antiga com Seu Barriga (cheia de pérolas das dublagens, como Chaves chamando Madruga de Ramón e o pai da Chiquinha dizendo o original "chusma" ao invés de gentalha) é melhor do que a mais comum com Professor Girafales, pois possui mais diálogos e termina com um clássico soco na cara de Seu Madruga em Quico (creio que por isso tenha sido esta a versão cancelada e não voltou até hoje). Talvez tenha ocorrido mesmo censura em alguns episódios devido à cenas violentas. Porque, nesta versão cancelada dos Inseptos, Chaves lambe um ferro quente. Sem contar o fato das seitas esotéricas terem sido ridicularizadas, ou Chaves atingir a cabeça de Seu Barriga ao tentar quebrar a pichorra, ou uma pesada bola de boliche grudada na mão de Chaves acertar todo mundo (esse episódio, o mais violento do seriado na minha opinião, teve suas duas versões canceladas), ou o fato de Peterete (Ramón Valdez) dar dezenas de pancadas em Beterraba após pentear seu topete, ou Chapolin jogar um sofá em cima do detetive Villagrán, levar um tiro na boca, segurar a bala com os lábios e a jogar com a força proporcionada pela peruca de Sansão em direção ao detetive, o atingindo no ombro, todos este menos o dos toureiros já voltaram.

 Às vezes reflito e penso que aquele jornal dominicano não estava tão errado ao tachar os seriados de Chespirito de violentos 
O Homem do Saco, versão com o vulgo Negão. Talvez a primeira versão mais bizarra de todas

  Certamente, para aqueles que apenas curtem Chaves, tais versões mais antigas de histórias já conhecidas não fazem a mínima falta. Mas para os mais aficionados, recomendo que adquiram estes episódios. Afinal, essa é a grande chance de pérolas impagáveis serem conferidas, como a velhíssima primeira versão do Homem da Roupa Velha (cujo ator recebeu o apelido de Negão), talvez o primeiro episódio da história do seriado Chaves, onde a vila possui um cenário diferente, mais extenso, com Seu Madruga morando na casa de Dona Florinda e Chaves chorando normalmente como qualquer criança após tomar um cascudo do Negão. Ouvir o dublador Gastaldi grunhindo nesta cena é sem dúvida cômico, estranho e extremamente tosco, assim como todos os episódios desta época primordial, quase paleozóica. 

fofalhas da gentoca:




Cena rara no sábado, dia 1º. Depois de muito tempo, foi exibida a cena final do episódio do Parque de Diversões em que o Homenzinho do Parque tenta ensinar a Chaves como que se pega a espingarda do tiro ao alvo. Chaves se atrapalha e acaba por dar um tiro que faz com que o chapéu do Professor Girafales caia. O Mestre Lingüiça, encantado, pergunta a Dona Florinda se ela gosta de parques e ela responde que lhe fascinam. Geralmente, quando exibem o episódio na íntegra, a edição comum faz com que o episódio se encerre ao término do clipe da música "Quando me Dizes". Esta cena da espingarda é a seqüência do clipe, porém ela sempre é cortada e sua exibição ocorre muito raramente.


e não custa recordarmos de uma cena inusitada. em 2004, Quem assistiu ao programa de Jorge Kajuru na Band  saberque, às 12h30min, ele dividia a rede para que, na última meia-hora, ir ao o programa local. Depois da divisão de rede, o apresentador, no programa do dia 28 de abril, quase apanhou do ex-pugilista Mário Soares, campeão brasileiro dos meio-pesados. Tudo porque o boxeador deixou o adversário Fábio Garrido em coma após dar uma seqüência de golpes no oponente. Mesmo já nocauteado, Mário continuou batendo até Garrido beijar a lona. Kajuru se indignou e acusou em seu programa o pugilista de covarde, pois era para ele parar de bater ao perceber que o oponente já estava grogue. Mário alegou que o boxeador tem que cumprir seu objetivo, que é nocautear o adversário. E chamou Kajuru de burro, que o chamou de covarde novamente. Mário perdeu as estribeiras e partiu pra cima de Kajuru em pleno programa, no ar e ao vivo. Kajuru amarelou diante de um brutamontes, mas manteve seu discurso. Realmente tiro a conclusão de que os dois estavam certos (um pelo lado humanístico e o outro pelo lado profissional) e, ao mesmo tempo, errados (por causa da briga). Mas Kajuru disse uma coisa muito estranha: após Mário pedir que ele fosse homem e se defendesse, Kajuru disse a seguinte frase: "Eu não sou homem, eu sou jornalista".